O que é Linux? Primeiros Passos
Por: Elias Bareinboim ( 22/12/2000 )

A História

Pergunta : O que é Linux?

Resposta: Linux é um sistema operacional distribuído gratuitamente, ponto.

Pergunta: E o que é um sistema operacional?

Obs.: aqui faremos uma descrição histórica (bonita e heróica) e técnica do sistema (se quiser gastar alguns minutinhos).

Resposta: Um sistema operacional é quem coloca o computador funcionando realmente. Ele traduz tudo que o usuário quer para que o hardware (máquina) entenda. Na verdade, a máquina só sabe lidar com sinais elétricos, não passa corrente, passa corrente, podemos fazer uma analogia com números (binários, 0's e 1's) e o sistema operacional faz do poder da máquina em manipular esse números, de calcular coisas extremamente rápidas, todo avanço da computação.

Simplificando:

Repare que nós (usuários) não temos acesso diretamente à máquina, quem faz o papel de intermediário é o Sistema Operacional.

Pergunta: De onde surgiu esse nome, Linux?

Resposta: Linus + Unix.

Pergunta: Quem é Linus?

Resposta: Linus Torvalds, criador do embrião do Linux e uma das figuras mais importantes em termos de criação e convergência dos esforços do sistema, falaremos muito dele a seguir, fique calmo. :)

Pergunta: Quem é Unix?

Resposta: A pergunta não seria quem é UNIX e sim "O que é?". Vamos por partes, é uma história e tanto.

(Pule esta parte se você não gosta de histórias heróicas. Mas saiba que história também é importante)

A origem do Unix tem ligação com o Sistema Operacional Multics, projetado em meados de 60. Tal projeto era realizado pelo Massachusets Institute of Technology (MIT), pela General Eletric (GE), pelos Laboratórios Bell (Bell Labs) e American Telephone and Telegraph (AT&T). A idéia era que o Multics tivesse características de tempo compartilhado, sendo o sistema mais arrojado da época. Em 1969, já existia uma versão primitiva de tal sistema rodando em um computador GE645.

Tempo compartilhado = vários usuários compartilhando os recursos de uma mesma máquina. Antigamente, o que existia eram vários terminais (chamados de burros) que faziam acesso à máquinas poderosas que prestavam serviços a este, havia uma grande centralização de operações.

Ken Thompson era um pesquisador do Multics e trabalhava na Bell Labs. Mesmo quando tal empresa resolveu retirar-se do projeto, ele continuou seus estudos no novo sistema operacional, agora não mais no sistema original com sua plenitude, mas sim em criar algo menor que conservasse as idéias básicas com envergadura proporcinal à sua empresa. Começa-se a saga do mundo UNIX. Quem o batizou foi Brian Kernighan, também pesquisador da Bell Labs. O sistema saiu com a idéia inicial de proporcionar um ambiente unificado de programação e desenvolvimento.

Em 1973, Dennis Ritchie, outro pesquisador da Bell Labs, reescreveu todo sistema para uma linguagem de alto nível, chamada C (desenvolvida por ele), para um PDP-11 (microcomputador mais popular na época). Tal situação de ter um sistema escrito em linguagem de alto nível foi ímpar e pode ter sido um dos motivos da aceitação do sistema por parte dos usuários externos a Bell.

No período de 1977 a 1981, a AT&T mexeu no sistema, fazendo algumas modificações particulares e lançou o System III. Em 1983, após diversas modificações, novidades e otimizações do sistema, foi lançado o famoso UNIX System V, comercial.

Hoje, tal sistema é padrão internacional no mercado UNIX, sendo comercializado por diversas empresas de grande porte que necessitam de tudo que um sistema operacional robusto pode oferecer.

O Unix é comercializado por diversas empresas de renome internacional, tais como IBM, AT&T, Hewlett-Packard, DEC, Data General, Cray Research, Philips, Sun, Olivetti etc. Ele é o sistema operacional com mais longevidade de todo o mundo da computação e até hoje é o sistema operacional para quem precisa de trabalho pesado. Não pergunte por que não utilizamos, é simples, basicamente porque ele é comercial e custa algumas dezenas de milhares de dólares e é fechado, nao permitindo sua customização. Logo, quem paga por um sistema deste é somente quem realmente precisa, pode pagar e não o customizará.



Linux e Unix

Pergunta: Bem, não estou vendo grandes ligações até agora entre o UNIX e o Linux. O que realmente há de comum além do nome parecido?

Resposta: Vamos com mais calma. Falemos do MINIX. O que vem a ser o Minix? Minix é um clone do UNIX, grátis, disponível com o seu código fonte. Ele foi feito com o intuito estritamente educacional, para pessoas em geral que querem rodar em seu computador um sistema UNIX-compatível e aprender como o sistema operacional funciona por dentro. Vale a pena frisar que ele foi escrito do zero e apesar de ser um clone do UNIX não contém nenhum código da AT&T e por isso pode ser distribuido gratuitamente .

Pergunta: Legal, mas o que Linus Torvalds, "o tal criador do Linux" tem com esse tal de MINIX? Depois do UNIX, apenas mais um nome.

Resposta: Vamos simplificar, se você realmente não tem interesses em longas histórias, a partir daqui que começa a recente história de Linus e seu sistema operacional. Voltemos a 1991. O Linux é um sistema operacional que foi criado inicialmente como hobby (passatempo) de um estudante de Ciência da Computação da Universidade de Helsinki, na Finlândia. Ele interessou-se bastante pelo MINIX e decidiu desenvolver um sistema mais poderoso que as limitações e pretensões do MINIX. Algumas características básicas do MINIX:

  • Ambiente de multiprogramação completo;
  • Trabalha em modo protegido 386, 486 e Pentium;
  • Suporte para memória extendida acima dos 16M no 386 e 4GB nos sucessores;
  • Suporte a linha serial RS-232 com emulação de terminal, kermit, zmodem, etc.;
  • Possibilidade de 3 usuários trabalharem simultaneamente na máquina (multi-usuário);
  • Chamadas do sistema ("System Call") compatíveis com o padrão POSIX.;
  • Código fonte completo escrito em C totalmente disponível (sistema operacional, utilitários, bibliotecas etc.);
  • Compilador compatível ANSI C;
  • Shell similar funcionalmente a Bourne Shell;
  • Suporte a rede TCP/IP;
  • Vários editores de texto (emacs, vi, ex, ed), utilitários (cat, cp, ed, grep, kermit, ls, make, sort), bibliotecas (atoi, fork, malloc, read, stdio), dicionários e páginas de manual online.

Repare aqui as similaridades com o Linux. Aqui foi o embrião de tudo. Mas vamos lá. Mais a frente, mostraremos as características do Linux.

Pergunta: Mas o que propunha o Linus? Continue a historinha. Eu pulei estes detalhes técnicos estranhos.

Resposta: Bem, voltando a 1991, ele disponibilizou a versão 0.02 e continuou trabalhando duro até em 1994 disponibilzar a versão 1.0. A versão atual do kernel (núcleo) do sistema é a 2.4.

Veja como conferir quais as últimas versões dos kernel do Linux.

zone:~$ finger @1 .kernel.org

[1 .kernel.org]

The latest stable version of the Linux kernel is: 2.2.12

The latest beta version of the Linux kernel is: 2.3.16

The latest prepatch (alpha) version *appears* to be: 2.3.17-1

(usar também finger @melkki.cs.helsinki.fi)

Pergunta: Surgiu a dúvida, qual o vínculo que ele mantém com seu "passado"?

Resposta: Bem, o Linux é completamente livre. É uma re-implementação das especificações POSIX (padronização da IEEE, Instituto de Engenharia Elétrica e Eletrônica) para sistemas operacionais, com extensões System V e BSD. Isso de modo prático quer dizer que ele parece com o Unix, mas não vem do mesmo lugar, foi escrito de uma outra fonte que não esta). Ele está disponível tanto em binários (executáveis, já prontos para serem usados) como em código fonte (para quem deseja compilá-los).



Características

Pergunta: Me fale mais sobre o Unix, ops, Linux mesmo, características e tal.

Resposta: Bem, vamos lá então:

  • Multi-tarefa Preemptiva Real

Vários programas sendo executados ao mesmo tempo independentemente (ou não), tendo suas áreas na memória (lugar onde ficam no computador) protegidas uns dos outros. O que isso quer dizer? Os programas não travam em geral e caso isso aconteça, não comprometem a estabilidade do sistema inteiro pois será derrubado da memória, não existe GPF.

  • Multi-usuário

Vários usuários utilizando a mesma máquina ao mesmo tempo, isso pode ser útil para máquinas em redes ou máquinas que são usadas por mais de uma pessoa.

  • Multi-processamento

Você pode usar mais de 1 processador em sua máquina e ganhar uma incrível melhora em performance de maneira eficiente e estável.

  • Leitura de executáveis sob demanda

O sistema traz do disco apenas o que está sendo usado pelo programa, não sobregarregando-o.

  • Memória Virtual (virtual memory)

Se um programa precisar de mais espaço em memória e o computador estiver com seus recursos saturados (utilização máxima dos recursos da máquina), o sistema operacional utilizará para o programa o disco rígido (hd / winchester) como uma extensão da memória RAM, simulando (fingindo) ser uma continuação dela. Recurso muito importante.

  • Suporte a vários sistemas de arquivos

Você pode enxergar e/ou gravar em uma série de sistemas de arquivos de múltiplus sistemas operacionais

  • Suporte avançado do protocolo TCP/IP e diversos protocolos (IPv4, IPv6, AX.25,X.25,IPX, DDP(Appletalk), NetBEUI, Netron)

O TCP/IP e o IP (IPv4) são alguns dos protocolos (conjunto de regras, padrões) de rede utilizados na Internet. O Linux tem suporte a eles de forma mais eficiente e que nenhum outro tem. O Linux pode ser um servidor de www, ftp, dns, stream, banco de dados ou qualquer outra serviço sem nenhuma dificuldade

  • Código fonte disponível gratuitamente

Se você é um programador ou se interessa em estudar sistemas operacionais é so abrir seu editor de textos preferidos e começar a estudar, o que acontece de verdade em um sistema operacional está a mostra sempre, e de graça.

  • Distribuído sob a licença GNU.

Permite você instalá-lo de graça em quantas máquinas quiser e manutenção do código fonte.

  • Multi-Plataforma

Ele roda em uma grande quantidade de plataformas, podemos citar algumas que ele já funciona ou está sendo implementada:

  • PCs - 386/486/Pentium e superiores com suporte a ISA, EISA, PCI, VLB (funciona em todas).
  • Motorola 680x0 (alguns amigas, ataris e VME)
  • DEC Alpha
  • Sun Sparcs (funciona, sun4c e sun4m)
  • PowerPC (já esta comeêando a se desenvolver bem)
  • MIPS and ARM (algumas pessoas portaram pra estes sistemas)

Pergunta: Bem, me parece bom, mas várias coisas eu não entendi, Linux é dificil?

Resposta: Não.

Pergunta: Só isso? Não tem mais nada pra falar?

Resposta: Claro que têm, mas é porque a resposta é bastante clara, não existe dúvida, é um sistema simples de utilizar, muitas coisas aqui faladas e anteriormente podem ser jogadas no lixo (/dev/null) e esquecidas por você, foi mais um histórico e uma descrição técnica do sistema para pessoas que querem aprender sobre sistemas. Ler isso tudo é útil a título de cultura geral se você não mexe com informática. Você, um usuário comum que utiliza seu computador para:

  • Usar a planilha eletrônica
  • Bater alguns textos
  • Fazer alguns desenhos
  • Ver algumas imagens e modifica-lás
  • Navegar na web
  • Baixar programas por ftp
  • Ouvir música (mp3, cd.)
  • Ver vídeos em tempo em tempo real
  • Usar um programa de bate-papo (irc, icq)

E muitas outras tarefas comuns porém não menos nobres. Você pode e DEVE utilizar o Linux



Por que usar Linux?

Pergunta: Por que utilizar o Linux?

Resposta: Simples, é um sistema operacional:

  • mais rápido que qualquer outro disponível no mercado;
  • gratuito;
  • diversos aplicativos gratuitos;
  • suporte técnico muito eficiente;
  • seguro;
  • suporte a rede nativo;
  • ambiente gráfico avançado;

Pergunta: Como você pode provar isso tudo?

Resposta:

Mais rápido: Só utilizando, ou medindo, que você verá, mas o Linux foi um sistema projetado de tal forma que optou por quesitos como qualidade técnica e performace em relação a outras características. Sem colcha de retalhos em cima do seu núcleo - quando se descobre um erro em sistemas mal projetados, tem-se dois grandes problemas: o primeiro, é claro, consertar este problema; o segundo, os efeitos colaterais que este erro trouxe para o sistema como um todo. Ele tem uma arquitetura que merece ser estudada mais a fundo.

Ser totalmente gratuito parece algo estranho, mas não é. O objetivo do Linus (se você não sabe quem é, os dados históricos) quando criou o sistema não era ganhar dinheiro e sim fazer para seu próprio uso e satisfação pessoal um sistema que fosse bom e pudesse atender a todas suas necessidades. O estilo de desenvolvimento que foi adotado foi o de colaboração coletiva.

É mais ou menos como um trabalho no caos, só que existe uma organização no meio desse ambiente que parece confuso para quem esta de fora. Milhares de pessoas contribuem gratuitamente com o desenvolvimento do Linux pelo prazer de ajudar a ter um sistema melhor. Este modelo não se tornou ineficiente por uma nova forma de se lidar com o desenvolvimento de software, juntando esforços, fazendo da comunidade parte integrante e imprescindível para sua realização. Apesar da democracia no processo de desenvolvimento, cada área existe um elemento aglutinador, responsável por coordenar e garantir que os esforços estão indo para o caminho desejado pela maioria. As decisões são técnicas. Por exemplo, na área do Kernel, núcleo do sistema, quem coloca a mão é o Linus, que analisa e oficializa cada alteração proposta.

Juridicamente falando aos mais desconfiados, o Linux está sob uma licença de uso chamada GPL Por exemplo, na área do Kernel, núcleo do sistema, quem coloca a mão é o Linus, que analisa e oficializa cada alteração proposta. Tal licença permite que qualquer um possa usar indeterminadamente os programas que estão sobre ela com o compromisso apenas de não pegar um dos programas e torná-los fechados e comercializados.

Veja bem, você pode pegar qualquer parte do Linux, modificá-lo e comercializá-lo, a única coisa que não pode fazer é fechá-lo. A mesma chance que você tem em ver o fonte e fazer o que desejar, deve preservar para o próximo.

De forma prática, para um usuário doméstico, o fato de ser livre significa que ele não precisa se preocupar com a pirataria. Tudo que ele faz é legal: pode usar, distribuir, copiar , modificar, fazer o que quizer que ele estará dentro dos limites da lei. Para uma empresa, não preciso nem falar . Futuramente escreverei um artigo específico para empresas e como aproveitar estas características do Linux.

Existem hoje em dia diversos aplicativos gratuitos sendo criados e já operacionais para Linux. Praticamente todas as tarefas imagináveis já tem software para Linux, totalmente gratuito .

Existem suítes de aplicativos similares ou superiores de outras plataformas, com planilhas eletrônicas, editor de textos, gerador de html, agenda eletrônica e outras coisas (podemos citar staroffice, word perfect, koffice). Para fazer desenhos e modificar imagens também existe diversos aplicativos utilizados pelos maiores webmasters/designers do mundo (porque? o sistema é mais robusto e menos frágil as vontades da máquina. Podemos falar assim para ficar elegante? Citando alguns, GIMP, Blender, etc.). Para navegar na Web existem vários browsers disponíveis com muitos de seus plugins (citando netscape, opera, lynx). Para se baixar programas por ftp, também. Ouvir música, mp3, cds, edição destas. Bater papo? ICQ, XChat e tudo com o código fonte testado e aprovado por milhares de pessoas.

Ambiente gráfico é algo que o Linux tem de sobra. Existe um mito (do concorrente?) falando que o Linux é uma tela preta com um cursor piscando. E só. é realmente um mito e quero esclarecer que esta tela existe, sim, porém quem desejar pode fazer uso dela, e só essas pessoas. Se você quer continuar sua vida normalmente usando belas janelas, botões, menus, cores e coisas assim, você pode e deve . Existem milhões de pessoas por aí usando, porque você não poderia? Em breve, apresentaremos artigos com a finalidade de acabar com estes mitos. Espere e verá!

Veja a nossa página de screenshots aqui para conferir o Linux em ação.

Bem amigos, fica esta pergunta no ar. Aguardo respostas por email e muito mais, espero que daqui a uma semana receba email falando que instalaram, gostaram por tais motivos e podemos começar a trocar idéias ..

Por enquanto é só pessoal... até a próxima !

Abraços,


Elias Bareinboim


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