Os donos produziram vários tipos de argumentos para
dar a si mesmos o poder de controlar como usamos a
informação:
Nomes:
Os donos usam palavras caluniosas como "pirataria" e
"roubo", e termos técnicos como "propriedade
intelectual" e "dano", para sugerir uma certa linha de
pensamento para o público - uma analogia simplista entre
programas e objetos físicos.
Nossas idéias e intuições sobre propriedade
de objetos materiais são sobre se é direito tomar
um objeto de alguém. Elas não se aplicam a fazer
uma cópia de algo. Mas os donos dizem que, apesar disso,
elas se aplicam.
Exagero:
Os donos dizem que sofrem "danos" ou "perdas
econômicas" quando os usuários copiam os programas
por si mesmos. Mas a cópia não afeta diretamente o
dono, na verdade ela não afeta ninguém. O dono pode
perder apenas se a pessoa que fez a cópia teria, de
outra forma, pago a ele por uma.
Se pensarmos um pouco, veremos que essas tais pessoas
não teriam comprado essas cópias, mas ainda assim
os donos computam suas "perdas" como se cada um fosse
comprar. Isso é exagero - para sermos brandos.
A lei:
Os donos sempre falam das leis atuais, e das penas severas
com que nos ameaçam. Implicitamente vai a sugestão
de que a lei atual reflete um inquestionável ponto de
vista moral - ainda mais, somos levados a enxergar essas
penas como fatos da natureza, dos quais ninguém tem
culpa.
Essa linha de persuasão não tem
intenção de incentivar o pensamento crítico,
mas sim de reforçar um hábito de pensamento.
É elementar que as leis não decidem o que é
certo e errado. Cada americano sabe que, há quarenta
anos, era contra a lei em muitos estados uma pessoa negra
sentar na frente num ônibus; mas apenas os racistas
diriam que sentar lá era errado.
Direitos naturais:
Os autores alegam ter uma ligação especial com
os programas que escreveram, e, conseqüentemente,
asseguram que seus desejos e interesses relativamente aos
programas simplesmente importam mais que os de qualquer outra
pessoa - ou até mesmo do resto do mundo inteiro.
(Tipicamente, são as companhias, não os autores,
que detêm direitos autorais de software, mas espera-se
que nós ignoremos essa discrepância.)
Àqueles que propõem isso como um axioma
ético - o autor é mais importante que você -
eu posso apenas dizer que eu, um notável autor de
software, chamo isso de nonsense.
Mas as pessoas em geral só sentem simpatia pelas
alegações de direitos naturais por duas
razões.
Uma razão é a forçada analogia com objetos
materiais. Quando eu faço spaghetti, realmente eu
faço objeção se alguém quer comê-lo,
porque aí não poderei mais comê-lo eu mesmo. A
ação dele me atinge exatamente na mesma medida em
que o beneficia; apenas um de nós pode comer o
spaghetti, então a questão é, quem? A menor
distinção entre nós é suficiente para
fazer pender a balança ética.
Mas se você executa ou modifica um programa que eu
escrevi, isso afeta a você diretamente e a mim, apenas
indiretamente. Se você dá uma cópia ao seu
amigo, isso afeta a você e ao seu amigo muito mais do
que me afeta. Eu não devo ter o poder de dizer a
você para não fazer isso. Ninguém deve.