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Por que Software Livre?
Por: Richard Stallman

Os donos produziram vários tipos de argumentos para dar a si mesmos o poder de controlar como usamos a informação:

Nomes:

Os donos usam palavras caluniosas como "pirataria" e "roubo", e termos técnicos como "propriedade intelectual" e "dano", para sugerir uma certa linha de pensamento para o público - uma analogia simplista entre programas e objetos físicos.

Nossas idéias e intuições sobre propriedade de objetos materiais são sobre se é direito tomar um objeto de alguém. Elas não se aplicam a fazer uma cópia de algo. Mas os donos dizem que, apesar disso, elas se aplicam.

Exagero:

Os donos dizem que sofrem "danos" ou "perdas econômicas" quando os usuários copiam os programas por si mesmos. Mas a cópia não afeta diretamente o dono, na verdade ela não afeta ninguém. O dono pode perder apenas se a pessoa que fez a cópia teria, de outra forma, pago a ele por uma.

Se pensarmos um pouco, veremos que essas tais pessoas não teriam comprado essas cópias, mas ainda assim os donos computam suas "perdas" como se cada um fosse comprar. Isso é exagero - para sermos brandos.

A lei:

Os donos sempre falam das leis atuais, e das penas severas com que nos ameaçam. Implicitamente vai a sugestão de que a lei atual reflete um inquestionável ponto de vista moral - ainda mais, somos levados a enxergar essas penas como fatos da natureza, dos quais ninguém tem culpa.

Essa linha de persuasão não tem intenção de incentivar o pensamento crítico, mas sim de reforçar um hábito de pensamento.

É elementar que as leis não decidem o que é certo e errado. Cada americano sabe que, há quarenta anos, era contra a lei em muitos estados uma pessoa negra sentar na frente num ônibus; mas apenas os racistas diriam que sentar lá era errado.

Direitos naturais:

Os autores alegam ter uma ligação especial com os programas que escreveram, e, conseqüentemente, asseguram que seus desejos e interesses relativamente aos programas simplesmente importam mais que os de qualquer outra pessoa - ou até mesmo do resto do mundo inteiro. (Tipicamente, são as companhias, não os autores, que detêm direitos autorais de software, mas espera-se que nós ignoremos essa discrepância.)

Àqueles que propõem isso como um axioma ético - o autor é mais importante que você - eu posso apenas dizer que eu, um notável autor de software, chamo isso de nonsense.

Mas as pessoas em geral só sentem simpatia pelas alegações de direitos naturais por duas razões.

Uma razão é a forçada analogia com objetos materiais. Quando eu faço spaghetti, realmente eu faço objeção se alguém quer comê-lo, porque aí não poderei mais comê-lo eu mesmo. A ação dele me atinge exatamente na mesma medida em que o beneficia; apenas um de nós pode comer o spaghetti, então a questão é, quem? A menor distinção entre nós é suficiente para fazer pender a balança ética.

Mas se você executa ou modifica um programa que eu escrevi, isso afeta a você diretamente e a mim, apenas indiretamente. Se você dá uma cópia ao seu amigo, isso afeta a você e ao seu amigo muito mais do que me afeta. Eu não devo ter o poder de dizer a você para não fazer isso. Ninguém deve.

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