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A imprensa só fala disso, os sites se preparam para isso, o público passa noite e dia sonhando com um desses. Claro que estamos falando da conexão de alta velociade, a chamada banda larga . A oferta de conexões desse tipo aumenta praticamente todo dia, com novos meios prometendo mais megabytes pelo seu real. Neste e no próximo artigos, trataremos desse assunto, explicando rapidamente os meios mais populares e comentando sua configuração em Linux. Em nome da simplicidade, comentaremos apenas os três meios mais conhecidos: RDSI, cabo e ADSL.
Existe uma coisa na telefonia fixa que praticamente não mudou desde os tempos de Graham Bell: a ligação entre seu telefone e a central (a chamada última milha ) continua sendo analógica. RDSI (Rede Digital de Serviços Integrados, mais conhecido pela sigla em inglês ISDN) transforma esta ligação em digital, garantindo maior confiabilidade nas ligações de voz e dados; é um fato raro uma conexão RDSI cair. Alem disso, traz para a telefonia o conceito de rede: o fio da tele se liga numa espécie de hub, o que permite que, por exemplo, se possa ao mesmo tempo navegar na Internet e falar ao telefone. No entanto, a necessidade de discar para o seu provedor não é eliminada, nem o custo telefônico. Para o usuario comum, as teles vendem o RDSI com duas linhas telefônicas (os chamados canais B); como cada canal B permite 64Kbps, a velocidade máxima é de 128Kbps. RDSI nunca alcancou populardade para o usuário doméstico, tanto pela lentidão das teles em digitalizar a última milha quanto pelos custos de equipamento e de utilizacao mensal.
A ideia do cable modem é simples: usar a rede da operadora de TV por assinatura (seja de cabo, como a NET, ou de microondas/MMDS, como a TVA) para trafegar dados. Um modem de cabo envia e recebe os sinais de dados vindos da operadora, garantindo acesso imediato (basta ligar o computador) e 24 horas, com isso liberando a linha telefônica. Ao comprar um acesso de cable modem, procure saber se o acesso oferecido é bidirecional (o modem a cabo envia e recebe dados); fuja dos acessos unidirecionais (o modem a cabo somente recebe dados, o envio é feito pela linha telefonica normal), visto que os custos deste tipo de acesso se tornam muito altos. Em teoria, o acesso via cabo pode chegar a inimagináveis 42Mbps, e a TVA trombeteia que seu serviço oferece ate estratosféricos 100Mbps. Na pratica, as velocidades são muitas vezes mais baixas, e no caso do cabo tem um agravante: quanto mais gente na vizinhanca usar o serviço de cable modem, menor a velocidade. Por isso as operadoras oferecem serviço de banda menor mas garantida; a NET oferece o Virtua a partir de 128Kbps. Cable modem é o acesso doméstico de banda larga mais usado no mundo. No entanto, a forma como o serviço foi especificado em cabo torna-o profundamente inseguro. E, em MMDS, para o serviço funcionar em Linux a operadora deve ter boa-vontade.
Para entender o ADSL, primeiro precisamos explicar a idéia da familia DSL (Digital Subscriber Line). A passagem de voz não ocupa toda a banda disponível no fio de cobre - na verdade, ocupa pouca banda. Nada mais lógico, então, que se ocupe o imenso espaco ocioso, por exemplo, com acesso de alta velocidade à internet. Pronto, criado o DSL, banda larga usando os fios de cobre disponíveis e o sistema analógico e disponível em diversas modalidades. Uma das modalidades é o ADSL. O A de ADSL significa Assimétrico, ou seja, a velocidade da linha para mandar informacoes é menor do que para receber (sejamos honestos, se baixa muito mais informação da internet do que se levanta para ela). Em termos teóricos, o ADSL pode chegar até a 8Mbps; menos do que o cable modem, mas tambem sem a violenta queda de performance quando a rede de cabo está cheia. Na pratica, o serviço é oferecido a velocidades mais baixas: em geral, as teles oferecem o serviço a partir de 256Kbps. Tambem é uma conexão 24 horas e instantânea, basta ligar o computador. ADSL tem sido agressivamente vendido pelas teles em todo o mundo. No Brasil, duas oferecem (Telefonica e Brasil Telecom) e uma está iniciando o oferecimento (Telemar).
Se você tem um TA externo serial, pare agora de ler este artigo, vá a seu computador e observe se seu TA responde aos comandos AT. Se sim, configure-o como se fosse um modem externo normal; se nao, você não vai conseguir configurá-lo de maneira alguma. Uma nota sobre TA seriais: tenha certeza de estar usando uma serial rápida com eles. A serial padrão de 115200bps não é suficientemente rápida para o RDSI. Se você tiver um TA USB, veja se ele se comporta como um modem USB. Ao comprar um TA interno, dê preferência a placas PCI; se tiver que usar uma ISA PNP, carregue o isapnp antes. E se você pretende comprar equipamentos RDSI em Miami, desista; o padrão americano é incompatível com o padrão brasileiro.
O subsistema isdn4linux é composto de duas partes:
A maioria dos kernels padrão das distribuições vêm com suporte a RDSI, bastando carregar os módulos com os parâmetros para sua placa; atenção para os donos de placas Teles PCI compradas nos kits DVI da Telemar, a placa deve ser configurada como uma NETjet. Se a sua distro não vem com os módulos compilados, é necessário compilar o kernel. Como está fora do objetivo do artigo, não entraremos no assunto, no entanto é aconselhável que se compile o subsistema RDSI como módulo. Uma observação: a experiência mostra que os módulos RDSI devem ser carregados manualmente. O programa userspace é chamado isdn4linux, e seu nome varia conforme a distro. Em Debian woody, o programa foi dividido em 9 pacotes, sendo os mais importantes isdnutils e ipppd; em Debian potato/slink e derivados (Stormix, Corel), chama-se isdnutils; em SuSE, chama-se i4l; em RH e derivados (Conectiva, TechLinux, Mandrake), chama-se isdn4k-utils. Atenção que apenas a versao mais nova do Conectiva Linux vem com os pacotes RDSI. A versao mais corrente (em novembro de 2000) é a 3.1b7, disponível em ftp://ftp.isdn4linux.de/pub/isdn4linux e seus mirrors (conforme http://www.isdn4linux.de/download.php3). A partir de agora, falaremos sobre como fazer funcionar um TA RDSI passivo de chipset HiSax, que são a esmagadora maioria das placas no mercado.
Se seu kernel tiver suporte a RDSI, se sua placa for PCI, e se sua distro tiver sido instalada com a placa RDSI, não se preocupe, pois a configuração já deve ter sido feita! :-) Se não for o caso... A primeira coisa a ser feita é carregar os modulos do kernel. Primeiro, modifique o /etc/modules.conf para que contenha a seguinte linha:
options hisax protocol=2 type=t
A primeira opção corresponde ao protocolo usado pela rede pública; 2 indica EuroISDN, usado no Brasil. A segunda opção corresponde à sua placa; t pode ser conseguido a partir de (path onde está seu fonte do kernel)/Documentation/isdn/README.Hisax. De passagem: mesmo que você nunca compile kernel, tenha sempre pelo menos a documentação (o diretório Documentation) à mão. É sempre útil. Evite fazer com que kerneld carregue os módulos; no último arquivo de configuração a ser lido (o rc.local de RH é um exemplo) adicione as seguintes linhas:
modprobe isdn_bsdcomp
Se nao houver nenhum problema, o driver para seu TA já está carregado.
Antes de comentar sobre a configuração, precisamos introduzir o conceito de MSN. MSN significa Número Múltiplo de Assinante, e é como o seu NT se identifica para a rede. Sem saber seu MSN, é impossível configurar RDSI. No caso da Telemar, o MSN é seu número de telefone; procure saber com sua operadora qual é seu MSN. Aqui não vamos entrar em detalhes, tendo em vista a verdadeira selva :-) de configurações possíveis. Use a ferramenta que sua distro oferecer. Somente se lembre de que você vai precisar dos seguintes dados, além dos tradicionais login e senha:
Se você precisar editar os arquivos na mão, crie os esqueletos de ippp0 com o isdnconfig, e depois edite (path)/device.ippp0 e (path)/ipppd.ippp0. A SuSE tem a configuração de RDSI no YaST, a RedHat tem a partir do 7.x um programa que facilita toda a configuração de RDSI; chama-se isdn-config no 7.0, mas nos últimos betas do 7.1 foi transformado em internet-config. Para as outras distribuições, uma boa sugestão de interface gráfica é o QTIsdnLinux, um programa sólido e de fácil aprendizado. Você pode baixá-lo aqui . Com tudo configurado, restarte isdn4linux. é a grande hora. Digite # /usr/sbin/isdnctrl dial ippp0 Se tudo deu certo, você está conectado! (Teste pingando para o servidor Web do seu provedor, por exemplo.) Para desligar use # /usr/sbin/isdnctrl hangup ippp0
Na página do projeto ( http://www.isdn4linux.de ) existe toda uma série de informações, downloads e links para RDSI em Linux. A documentação disponível localmente, tanto no kernel quanto no isdn4linux, é outra boa fonte de consultas. Em http://bandalarga.cjb.net existe um micro-HOWTO para quem tem os kits DVI. Lá também tem links para programas gráficos que facilitam esta árdua tarefa de configuração. |
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