OLinux: Primeiramente, fale sobre suas experiências
profissionais.
Ben Collins:
Eu sou programador e administrador de sistemas. No passado
trabalhei como Desktop Publisher e web designer. Já
trabalhei na NASA LaRC, em vários ISP (Internet Solutions
Providers) e atualmente sou funcionário da Winstar (
http://www.winstar.com
).
OLinux: Explique a história, a filosofia e a
organização da Debian no desenvolvimento de Free
Softwares.
Ben Collins:
A nossa filosofia é muito antiga. O principal é que
acreditamos que é possível criar um sistema
operacional completamente livre para realizar atividades
diárias. Isto foi o que deu início à Debian e
incentivou Ian Murdock a escrever o Debian Manifesto. Desde
então começou o projeto Debian e o Debian Free
Software Guidelines (DFSG), documento que define que tipo de
licença é considerada livre no sentido restrito de
liberdade. Junto com estas iniciativas veio o Debian Social
Contract, que define que a formas de suporte para os
usuários. Posteriormente, com o crescimento do projeto,
foi criada a nossa Constituição. Este documento
define os nossos procedimentos e os padrões de autoridade
dentro do projeto.
Sempre demos o controle dos pacotes para os administradores
de cada um deles, o que está de acordo com a política
interna do Projeto Debian. Este controle é a força da
distribuição Debian, sem isto, as
atualizações, a coesão e a instalação
dos pacotes seria um pesadelo.
OLinux: Está muito entusiasmado por estar à
frente do Projeto Debian? Já tem algo em mente para o
Projeto? Fará alguma mudança no modelo de
trabalho?
Ben Collins:
Estou muito entusiasmado. Esta é a terceira vez que
concorro para o cargo e finalmente consegui atingir este
objetivo, graças aos que confiam na minha capacidade de
liderar o grupo. Pretendo limpar algumas coisas que estavam
afetando a organização interna do Projeto. Logo
após, tenho planos de lidar com os problemas e
situações que podem se tornar uma ameaça ao
Projeto em futuro bem próximo.
OLinux: Quais serão as diferenças entre a sua
gestão e as passadas?
Ben Collins:
Quando comecei no Projeto Debian, Ian Jackson estava acabando
sua gestão como DPL e ele era um tanto inativo. Wichert
assumiu o seu lugar e, na minha concepção, fez um
ótimo trabalho e colocou o Projeto para frente. Pretendo
agir da mesma forma, avançando os desenvolvimentos e
lidando com os problemas que aparecerão ao longo do
tempo.
OLinux: Quantas pessoas estão envolvidas e quais
são as ferramentas utilizadas para controlar os
resultados dos desenvolvimentos ao redor do mundo?
Ben Collins:
Dentro da Debian existem os administradores (800), os quais
são responsáveis por um ou mais pacotes (alguns
não administram pacotes, mas todos cooperam com outros
projetos internamente, como arquivos ftp, sites, etc.). Todos
têm controle total sob suas atividades. Muitos
programadores juntam-se em grupos para desenvolverem tarefas
trabalhosas mais específicas. Posso citar o Debian Junior
Project, os trabalhos de compatibilização (sparc,
arm, alpha, powerpc, etc.) e os projetos de tradução
como exemplos.
Todo o trabalho é coordenado via mailing lists. Algumas
pessoas utilizam o IRC como uma forma de interação
(via irc.openprojects.net). Existe o Bug Tracking System para
gerenciar as indicações de bugs em todos os pacotes.
Este sistema está disponível nas páginas do
projeto Debian. Qualquer pessoa pode relatar bugs diretamente
com os administradores dos pacotes.
OLinux: Quantas pessoas trabalham para o Debian Project?
Está satisfeito com os resultados?
Ben Collins:
A última vez que chequei existiam 800 pessoas. Estou
satisfeito com os resultados. O que não estou gostando
é a quantidade de desenvolvedores sem sistemas
propícios de gerenciamento. O trabalho está sendo
feito, mas quero ver outras coisas desta área sendo
discutidas e analisadas.
OLinux: O que acha do que andam dizendo sobre a grande
quantidade de bugs do Debian 2.2? O que fará para evitar
tais falhas no "Woody"?
Ben Collins:
Eu não sabia deste tipo de repercussão. Temos uma
grande equipe de segurança que consertas todos os bugs
antes de cada lançamento. Sempre realizamos
atualizações para suprir as falhas (enquanto respondo
as perguntas estou trabalhando no patch 2.2r3). Para o woody
temos um novo mecanismo de testes que ajudará a reduzir o
tempo de lançamento.
OLinux: Quais as suas expectativas para o Woody?
Ben Collins:
Estamos trabalhando muito duro para incluir novas
características no Woody. Pretendemos fazer deste
lançamento a distribuição que dá suporte a
maior quantidade de arquiteturas.
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