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Neste artigo estaremos mostrando alguns do mais importantes arquivos de configuração do GNU/Linux, para que servem e como configurá-los. O GNU/Linux possui diversos arquivos de configuração, cada um com sua finalidade. Isto facilita a manutenção das configurações do sistema, pois você sabe exatamente para que serve cada arquivo de configuração, que na sua maioria se encontram no diretório /etc ou /usr/local/etc. Comecemos então com os mais conhecidos:
O arquivo mtab (Mount Table) localiza-se no diretório /etc. Este arquivo contém informações de quais partições de devices estão montados no momento. Não deve-se editar este arquivo. Apenas veja seu conteúdo para saber o que está montado. Por exemplo: $ cat /etc/mtab /dev/hda2 / ext2 rw,errors=remount-ro 0 0 proc /proc proc rw 0 0 /dev/hda3 /usr ext2 rw 0 0 /dev/hda4 /home ext2 rw 0 0 Ou seja, estão montado neste exemplo: /dev/hda2 , proc , /dev/hda3 e /dev/hda4 .
O arquivo fstab (File System Table) localiza-se no diretório /etc. Ele contém informações de como montar partições de devices. Este arquivo é lido pelo GNU/Linux durante o boot para saber o que ele deve montar na inicialização do sistema. Além disso, este arquivo pode ser usado para facilitar a utilização do mount, além de dar permissão a usuários a acessarem dispositivos que só podem ser montados pelo root. Um exemplo é o drive de disquete (ou cdrom), que normalmente não pode-se montar como usuário comum. Veja um bom exemplo do fstab: $ cat /etc/fstab #/etc/fstab: static file system information. #file system mount point type options dump /dev/hda2 / ext2 defaults,errors=remount-ro 0 1 /dev/hda1 none swap sw 0 0 proc /proc proc defaults 0 0 /dev/hda3 /usr ext2 defaults 0 2 /dev/fd0 /floppy auto user,noauto,defaults 0 4 amora:/home /home nfs defaults 0 3 /dev/hdc /cdrom iso9660 user,noauto,exec,defaults 0 4 /dev/sda4 /zip auto user,noauto,exec,defaults 0 4 Este arquivo está configurado para montar partições do hd, floppy (disquete), cdrom, zipdrive e partição via nfs (home). Para entender como funciona, peguemos como exemplo a linha do disquete: /dev/fd0 /floppy auto user,noauto,defaults 0 4 A primeira opção (/dev/fd0) é a partição do device de disquete. A segunda opção (/floppy) é o ponto de montagem, onde será a raiz do disquete. A terceira opção (auto) indica que é para o sistema identificar automaticamente o tipo de arquivo de sistema do disquete (FAT16, EXT2, ...). A quarta opção indica que um usuário comum pode montar o disquete (user), que o disquete não é para ser montado automaticamente quando iniciar o sistema (noauto), e que é para usar opções padrões (defaults), ou seja, outras como user e noauto, porém que não se deseja configurar. A quinta opção (0) pode ser ignorada. A sexta e última opção (4) indica a ordem em que devem ser montados os devices. Neste caso o disquete seria o quarto a ser montado na inicialização do sistema, porém utilizamos a opção noauto e este número não server para nada.
O arquivo passwd (PassWord) encontra-se no diretório /etc. Ele indica quais são as contas (usuários) do sistema com informações sobre este usuário (nome, email, telefone, ...), além da localização de seu HOME (Casa), qual shell deseja utilizar e seu UID (User Identification) e GID (Group Identification). Também pode-se definir a senha do usuário neste arquivo. Veja um exemplo: $ cat /etc/passwd root:x:0:0:root:/root:/bin/bash daemon:x:1:1:daemon:/usr/sbin:/bin/sh bin:x:2:2:bin:/bin:/bin/sh sys:x:3:3:sys:/dev:/bin/sh (...) qmails:x:72:70:qmail send:/var/qmail:/bin/sh qmailr:x:73:70:qmail remote:/var/qmail:/bin/sh qmailq:x:74:70:qmail queue:/var/qmail:/bin/sh qmaill:x:75:65534:qmail log:/var/qmail:/bin/sh qmailp:x:76:65534:qmail pw:/var/qmail:/bin/sh asouza:x:1000:1000:A.Souza,,,:/home/asouza:/bin/bash Peguemos como exemplo o usuário asouza : asouza:x:1000:1000:A.Souza,,,:/home/asouza:/bin/bash Note que as opções são separadas por : (dois pontos). A primeira opção é o login do usuário (asouza). A segunda opção seria a senha criptografada (codificada), porém colocaremos a senha em outro arquivo, por isso aqui fica com x . A terceira opção é o UID (único para cada usuário). Para os usuários comuns, o UID começa em 1000. Neste caso, asouza foi o primeiro usuário comum a ser criado. A quarta opção é o GID (único para cada grupo de usuários). Também começa de 1000. Neste caso, criando-se um usuário com o comando adduser (como root), também é se criado um grupo para este usuário com o mesmo login e UID que o dele. A quinta opção é o finger do usuário (informações), separadas por vírgulas. Estas podem ser vistas executando por exemplo: $ finger asouza A sexta opção (/home/asouza) é a localização do HOME (Casa) do usuário. Por fim, a sétima opção (/bin/bash) é o shell que o usuário irá utilizar. Nota: Alterando o /etc/passwd você pode modificar, criar ou remover usuários. Evite editar este arquivo, use sempre o adduser e o userdel .
O arquivo group localiza-se no diretório /etc. Este arquivo guarda informações dos grupos do sistema e que usuários pertencem ao grupo. Exemplo: $ cat /etc/group root:x:0: daemon:x:1: bin:x:2: sys:x:3: adm:x:4: tty:x:5: disk:x:6: lp:x:7:lp mail:x:8: news:x:9: (...) dip:x:30:luke,asouza majordom:x:31:majordom postgres:x:32:luke www-data:x:33: (...) qmail:x:70: users:x:100: asouza:x:1000: Peguemos por exemplo o grupo dip , que indica quais usuários podem discar para a internet: dip:x:30:luke,asouza Assim como o /etc/passwd este arquivo tem suas opções separadas por : (dois pontos). A primeira opção é o nome do grupo (dip).
Para adicionar um grupo use o addgroup como root: #addgroup grupo Onde grupo seria o nome do grupo a ser criado. Para adicionar um usuário a um grupo seria (como root): #adduser usuario grupo Exemplo: #adduser asouza dip Que adiciona o usuário de login asouza ao grupo de dip, de discagem para a internet.
O arquivo shadow localiza-se no diretório /etc. Este arquivo contém os logins dos usuários e suas senhas criptografadas (codificadas). Exemplo: $ cat /etc/shadow root:AlgumaSenhaAi:11055:0:99999:7::: daemon:*:10963:0:99999:7::: bin:*:10963:0:99999:7::: sys:*:10963:0:99999:7::: sync:*:10963:0:99999:7::: games:*:10963:0:99999:7::: man:*:10963:0:99999:7::: lp:*:10963:0:99999:7::: mail:*:10963:0:99999:7::: news:*:10963:0:99999:7::: uucp:*:10963:0:99999:7::: proxy:*:10963:0:99999:7::: majordom:*:10963:0:99999:7::: (...) alguem:Criptografada:10963:0:99999:7::: Note que as opções são separadas por : (dois pontos). A primeira opção é o login (conta) do usuário (alguem). A segunda opção é a senha criptografada (codificada). Nunca altere a senha diretamente neste arquivo. Da terceira opção em diante o sistema altera automaticamente, não há necessidade de altera-las. Para alterar a senha de um usuários utlize o comando passwd como root: #passwd usuario Exemplo: #passwd asouza
Vimos os arquivos /etc/mtab e /etc/fstab que estão ligados diretamente com o mount. Também vimos sobre os arquivos de gerenciamento de grupo e usuários: /etc/passwd , /etc/shadow , /etc/group . Alterando estes três últimos você pode criar, modificar e apagar usuários e grupos. No próximo artigo tem a continuação com mais arquivos de configuração. Qualquer dúvida tem o meu email e o fórum . Até lá! |
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