O francês Jean-loup Gailly trabalhava feliz como CTO
da Mandrake. Mas sérios desentendimentos com dois
executivos americanos da empresa francesa, John Corey e Henri
Poole, levaram o desenvolvedor a deixar a empresa. Embora
considere que "o público não deva saber dos
detalhes da vida da Mandrake", Gailly nos deu a entender que
os executivos não vinham conduzindo bem as finanças
da distribuidora de Linux. Saiba mais desta
situação nesta entrevista especial de Gailly para o
OLinux.
OLinux: Poderia nos dizer sobre suas referências
pessoais e profissionais?
Jean-loup Gailly:
Já passei por muitos lugares, desde a General Electrics
até a Mandrake. Atualmente sou o diretor de
desenvolvimento de softwares da Vision IQ/Poseidon, uma
empresa de softwares especializados na visão
através do computador. Coloquei à
disposição na Internet uma página com meu
curriculum detalhado, em
inglês
e em
francês
, minha língua natal.
OLinux: Quando o Sr. exatamente deixou a Mandrake?
Gailly:
No início do mês de Abril. A decisão de deixar
a empresa, no entanto, eu já havia tomado algum tempo
antes.
OLinux: Por que o Sr. tomou a decisão de deixar a
Mandrake?
Gailly:
Deixei a empresa devido a desentendimentos com John Corey e
Henri Poole [executivos americanos da MandrakeSoft, com quem
Gailly tinha várias divergências]. Não
entrarei aqui no mérito e na natureza destes
desentendimentos, mas digo que eles foram os
responsáveis pela minha saída.
OLinux: O Sr. vê nestes executivos americanos como
inimigos? Ou a divergência foi algo que passou, que
você perdoaria?
Gailly:
Apenas digo que realmente fiquei feliz por John Corey e Henri
Poole terem deixado a Mandrake, mesmo após a minha
saída. Mas não entrarei neste assunto.
OLinux: O Sr, reconsideraria a sua decisão, hoje em
dia? Voltaria a trabalhar na Mandrake algum dia?
Gailly:
Claro! Nunca teria saído se Corey e Poole não
estivessem lá. Adorava o meu trabalho na Mandrake, mas
agora estou curtindo este novo trabalho. Estou
esperançoso nesta nova empreitada.
OLinux: A sua partida da Mandrake está relacionada
com a situação financeira difícil que a
empresa atravessa?
Gailly:
Bem, apenas para que você tenha uma breve idéia do
que aconteceu, uma das questões sobre o meu
desentendimento com Corey e Poole tem a ver com a forma de
como a empresa estava sendo gerenciada e como o dinheiro
estava sendo gasto. Daí você pode tirar suas
próprias conclusões.
OLinux: O que você pensa a respeito dos atual CEO,
Jacques LeMarois e do CTO, Fréderic Bastok?
Gailly:
Jacques e Frederic, juntamente com o terceiro fundador Gael
Duval, estão tomando atitudes apropriadas para assegurar
o sucesso da Mandrake. Aprovo a decisão do Jacques na
demissão dos executivos americanos que forçaram a
minha saída.
OLinux: O que o Sr. pensa a respeito da página de
doações recentemente lançada pela
Mandrake?
Gailly:
Ela é fruto de vários pedidos de usuários da
Mandrake. Muitos deles queriam pagar por produtos e
serviços fornecidos - com a produção da
distribuição Linux-Mandrake e a
fabricação das ISOs disponíveis por custos de
ftp. No entanto, eles preferiram dar o dinheiro diretamente
do que comprar pacotes que eles não precisam, visto que
eles podem baixar diretamente o sistema pela Internet. As
pessoas que não gostam da idéia de doação
continuam a comprar os pacotes, pois ninguém os
está forçando a usar a página de
doações.
OLinux: Agora que o Sr. está de fora do mundo
Linux, como vê a crise que atinge o mercado Open
Source?
Gailly:
Muitas pequenas empresas estão tendo dificuldades e
quebrando. Mas as empresas líderes como a Red Hat e a
Mandrake chegaram para ficar. O Linux está ficando cada
vez mais popular, e até mesmo a Microsoft já
está se sentindo ameaçada, pelo menos no mercado de
servidores. Há uma clara necessidade para os produtos e
serviços de Linux os quais empresas como a Mandrake pode
fornecer.