Introdução
Há muito tempo escuta-se falar sobre a
degradação educacional no Brasil. Dizem que tudo
começou na época da ditadura militar nas
décadas de 60, 70 e 80. Em 1985 este regime de governo
chegou ao fim e a tão sonhada democracia renasceu. Mas
as condições do ensino público pioraram ainda
mais, deixando uma boa parcela dos estudantes do nosso
país à margem de uma boa educação
fundamental e média e consequentemente fora das
Universidades Públicas - que até hoje são
consideradas as melhores, mas esta é uma outra
história.
Diante deste panorama, o Governo Federal criou o FUST
(Fundo de Universalização dos Serviços de
Telecomunicações), o qual tem toda sua verba
destinada ao fim da exclusão digital na esfera
pública.
No dia 25 de julho de 2001, o órgão regulador do
FUST, a Anatel, liberou o Edital de Licitação para
a compra de 290 mil PCs destinados às escolas
públicas. Junto com as máquinas, o sistema
operacional e outros aplicativos. Porém, neste Edital
constava apenas a instalação do Windows e não
mencionava em nenhum momento o Linux ou outro Software Livre.
A proposta é dividir as máquinas e, três
categorias: Servidores (A); Desktops (B); Estações
de Internet (C).
A partir deste fato é que começou o "bafafa",
que teve até nome de irmão de Ministro metido no
meio.
A luta pela anulação do
Edital
Tomando conhecimento deste fato, a comunidade
Linux/Software Livre do Brasil, mesmo que um tanto desunida,
começou a lutar para anular este Edital e suspender a
licitação. O Deputado Walter Pinheiro (PT-BA),
autor do projeto de lei No. 2.269/99 que obriga as
instituições governamentais a utilizarem Software
Livre em suas estruturas, amparado pela Lei do Fust (no.
9.998/00), que prega a igualdade nos processos
licitatórios, criticou a decisão da Agência
Nacional de Telecomunicações e tentou anular o
Edital. Infelizmente não conseguiu e o processo
licitatório seguiu a diante.
Além do Dep. Walter Pinheiro, outros também
protestaram contra o Edital, um grande exemplo foi a abaixo
assinado promovido pelo Quilombo Digital que gerou cerca de 3
mil assinaturas.
Finalmente, após uma segunda abordagem dos Deputados
da oposição, a liminar foi liberada não pela
exclusão dos Softwares Livres do edital, mas pela
licitação não estar prevista no Plano
Plurianual (PPA). Através desta brecha, os Deputados
conseguiram a suspensão do processo
licitatório.
As revelações
A fase conturbada deste processo começou no momento
em que os Deputados Walter Pinheiro (PT-BA) e Sérgio
Miranda (PCdoB-MG) conseguiram uma liminar na Justiça,
obrigando a anulação da licitação.
Minutos antes do início da abertura dos envelopes das
propostas, a liminar foi liberada e o processo foi
interrompido.
Depois desta batalha, as coisas podres começaram a
surgir. O MEC já havia sido contratante dos
serviços da empresa de Bill Gates. Em 1998, a
licitação de máquinas com exclusividade para o
Windows foi motivo de rígida auditoria do Tribunal de
Contas da União e ainda está sendo investigada pelo
Ministério Público. O site no. descobriu que o
irmão do Ministro da Educação, Marco
Antônio Costa Souza, na ocasião era advogado da
Microsoft.
Um fato muito interessante envolvendo a Microsoft e o MEC
foi o lançamento do Proinfo, em 1996. O programa tinha
como meta a instalação de 105.000 PCs nas escolas
públicas do país até o final de 1998, mas
até agora apenas 30.000 chegaram aos destinatários.
Mais uma vez, um só fornecedor foi favorecido neste
processo, a Procomp que, por conta disso, cresceu 30,2% em
1999, fechando o ano com lucro de R$ 270 milhões. Por
estes fatos, o Ministério Público investiga
irregularidades na contratação, pelo MEC, para a
venda dos produtos da Microsoft sem licitação,
indícios de superfaturamento e até a política
de software.
E por aí vai. São muitos casos de irregularidade
que envolvem Organizações governamentais e a
gigante dos softwares. Pelo menos agora, neste caso da
licitação da Anatel, barreiras foram colocadas e o
fato foi exposto na mídias antes de se concretizar.
Mas, como a Microsoft não poderia ficar calada diante
desta enxurrada de acusações e principalmente pela
interrupção da licitação, o diretor de
marketing da Microsoft Brasil, Luiz Marcelo Marrey Moncau,
repudiou
severamente a decisão do TRF e ainda atirou pedras na
Conectiva, declarando que a companhia nacional defende os
interesses de uma empresa estrangeira que distribui Linux no
Brasil (Red Hat).