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Samba: Uma grande força para o Linux no mercado de servidores
Por: Marcos Manhães

OLinux: Como as licenças dos protocolos reproduzidos pelo Samba funcionam?

Andrew Tridgell: Não temos problemas com licenças, já que trabalhamos na forma "on-the-wire", ou seja, olhamos quais pacotes duas máquinas Microsoft trocam e tentamos reproduzir o que isso significa ou então escrevemos programas que testam uma série de requisições de protocolos para servidores MS e vemos como respondem. Até aonde eu conheço, não há problema com estas atividades.

É como aprender uma língua durante uma visita a um pais, escutando o que seus habitantes conversam entre si ou assistindo à TV local.

OLinux: Em sua opinião a Microsoft pode criar algum tipo de licença que faça o Samba parar suas atividades?

Andrew Tridgell: Acho que não. Já ocorreram algumas interações legais entre membros da Microsoft e a equipe do Samba. Além disso não existe uma posição clara de que a Microsoft deseja acabar com o Samba, mesmo se pudesse. Escutamos de algumas pessoas da Microsoft que o Samba foi uma ótima porta de entrada para um mercado em que eles não podiam penetrar. Eles conseguiram empurrar o WindowsNT em lugares que adotavam sistemas Unix. A existência do Samba pode ter sido responsável pela vitória da MS sobre a Novell no mercado LAN. Este é um mercado muito complexo e a afirmação de que a Microsoft poderia acabar com o Samba torna-se muito simplista.

OLinux: Quais as habilidades para se tornar um programador do Samba?

Andrew Tridgell: Bem, o Samba possui um código muito complexo e não é particularmente bem estruturado. Estamos aprimorando sua estrutura vagarosamente, mas neste momento os programadores necessitam saber utilizar ferramentas de navegação em códigos(mesmo coisas simples como etags, grep etc) para conseguirem se encontrar dentro do código.

Um programador do Samba também precisa ser muito cauteloso e não fazer muitas suposições. Existem várias partes do protocolo que são extremamente delicadas e possuem regras estranhas que, com certeza, nunca foram observadas no mundo Unix. Isto significa que as mudanças devem ser cuidadosamente testadas.

Projetos como criar uma farm no http://build.samba.org/ ajudam a solucionar alguns problemas provendo testes automáticos em várias plataformas, mas mesmo assim há a necessidade de um programador muito cauteloso.

OLinux: Dê-nos um exemplo de tecnologias Open Source, sem contar o Samba, que podem reduzir o domínio da Microsoft.

Andrew Tridgell: As mais óbvias são as suítes office, um bom groupware/calendering em um bom web browser. Além desses, posso citar os toolkits, libraries, compiladores e o kernel, mas os primeiros são os padrões que podem ampliar o emprego do Open Source massivamente.

Todos esses são na arena de desktops. No campo de servidores, o Apache, PHP e projetos de database como PostgreSQL já são realidades.

Toda esta questão depende do tipo de "domínio" a que se refere esta pergunta. Se o ponto a ser discutido for o mercado de Network Attached Storage (no qual estou trabalhando agora) então os projetos essenciais são o kernel, filesystems como o XFS e volume managers como LVM.

OLinux: E as pizzas que você recebeu em agradecimento ao desenvolvimento do Samba, o que realmente aconteceu?

Andrew Tridgell: Isto foi realmente incrível! Tudo começou com uma piada e eu realmente não esperava comer pizza devido a este comentário, mas algumas pessoas fizeram com eu e alguns membros da equipe ganhássemos pizzas. Durante um certo tempo eu e minha esposa vivemos à base de pizzas que eram debitadas em um cartão de crédito de alguém na Alemanha.

OLinux: Qual é o futuro do Samba?

Andrew Tridgell: Bem, a curto prazo, estamos nos concentrando em refinar o suporte aos protocolos do WindowsXP e Windows2000, além de suporte ao Active Directory e uma boa impressão.

A longo prazo, quem sabe? Talvez o mundo pare de utilizar softwares de desktop da Microsoft. Talvez a Microsoft desista do protocolo SMB adotando algo diferente.


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